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Preservação da fertilidade

Por, Rafaella Petracco.

Matéria Publicada em: 19/07/2017

Carreira, estabilidade financeira e a busca do parceiro ideal são alguns dos motivos que levam as mulheres a adiar a maternidade. O que poucas sabem, e muitos médicos não orientam, é que a reserva ovariana não espera a realização destes objetivos para seguir oferecendo uma boa chance de gravidez com o passar dos anos. Dados do IBGE mostram que, nos últimos 15 anos, a taxa de fecundidade caiu 30%, e em mulheres com mais escolaridade e maior renda, a maternidade se concentra após os 30 anos. Décadas passadas, a grande maioria era mãe antes dos 25 anos.

Ao nascer, cada menina tem entre seis e sete milhões de óvulos, sendo o pico dessa produção ainda intra-útero. A perda de folículos inicia antes mesmo do nascimento e se acentua com o passar dos anos. Essa perda independe do processo reprodutivo ou do uso de contraceptivos – portanto, se ilude quem pensa que está preservando sua fertilidade usando qualquer tipo de contraceptivo hormonal.

O período entre 18 e 30 anos é considerado de fertilidade ótima – ou seja, com maior chance de gestação a cada ciclo menstrual. Mesmo nessa faixa etária, a chance máxima de gravidez não é maior do que 25%. Entre 36 e 37 anos, esse percentual fica próximo dos 15%. Entre as razões para isso é a redução da reserva ovariana e o envelhecimento dos óvulos. Com o passar dos anos, o risco de bebês com doenças genéticas e as taxas de abortamento aumentam – chegando a 30% para mulheres com mais de 40 anos.

Existem exames que podem auxiliar na predição da reserva ovariana. Um dos mais utilizados atualmente é o hormônio anti-mülleriano. Produzido pelas células dos folículos antrais, ele estima o número total deles existente nos ovários. Trata-se de um exame cujo resultado não se altera
nas diferentes fases do ciclo menstrual, sofrendo pouca influência do uso de contraceptivos hormonais, no entanto existe muita variabilidade nos resultados e muita controvérsia sobre sua utilização rotineira. Outra forma de avaliar a reserva é a contagem de folículos antrais, realizado através da visualização direta dos ovários por ultrassonografia, associado a dosagem de FSH e estradiol na fase proliferativa do ciclo menstrual.

Os dados obtidos através desses exames ajudam a orientar as pacientes em relação ao seu potencial ovariano, bem como a necessidade de buscar gestação ou alguma alternativa para preservar a fertilidade. Nesse caso, para mulheres que desejam postergar a maternidade, a vitrificação de oócitos vem ganhando cada vez mais espaço. Introduzida nos anos 2000, essa técnica permite uma melhor sobrevivência dos óvulos congelados, com mais chances de gestação ao utilizar o material futuramente.

No entanto, a qualidade e quantidade destes óvulos criopreservados– que serão a base para predizer chance de gestação futura – estão somente ligadas à idade do congelamento. Portanto, para que haja chance real de gravidez através do descongelamento e posterior fertilização destes óvulos, a idade em que eles foram congelados é fundamental.

Para uma chance de gravidez ao redor de 50% em mulheres que realizaram o congelamento até os 35 anos, pelos menos entre 8 e 10 oócitos maduros devem ser vitrificados. O número absoluto a ser congelado dependerá da resposta à estimulação de cada paciente, baseada nos exames realizados previamente para avaliação da reserva ovariana e do protocolo de estimulação escolhido. O número ideal e almejado deverá ser discutido e individualizado com cada paciente.

Podemos concluir que o ideal seria que todas as mulheres pudessem buscar a maternidade antes dos 35 anos, para que não precisassem depender de técnicas de reprodução assistida. Mas como esse nem sempre é o cenário da vida real, devemos ter claro que a preservação da fertilidade através do congelamento de óvulos é uma alternativa possível para aquelas mulheres que desejam ou precisam postergar a maternidade.

 Rafaella Petracco

Ginecologista do Fertilitat – Centro de Medicina Reprodutiva

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