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Na educação infantil, ser diretor é, também, despertar o amor

Por, Fátima Simone de Campos - Professora

Matéria Publicada em: 29/09/2017

Trabalhar na Educação Infantil tem suas peculiaridades, suas vantagens e diferenciais. O presente relato de experiência busca explicitar o que vivemos no seu cotidiano, na relação com as famílias, mas principalmente na relação com os bebês e as crianças bem pequenas num contexto de educação coletivo que atende cento e duas crianças, que localiza-se no município de Ijuí-RS.

É nesta etapa da educação que conhecemos, aprendemos e nos tornamos apaixonados pelo seu protagonista principal: a criança. Em todos os momentos que nos tornamos envolvidos com esse “ser”; estar presente em sua vida, na escola, no dia a dia; nos traz a certeza que acreditamos e queremos um mundo melhor, pois é através do seu olhar, seu sorriso seus gestos, suas atitudes, suas curiosidades, que apostamos cada vez mais neles.

Sou professora de Educação Infantil há mais de 15 anos, atualmente, diretora em uma Escola Infantil. Minha paixão pela área da educação, por ter escolhido essa profissão de professora, se deu pelo meu encantamento pelas crianças.

Estar diretora não fez mudar meu jeito e modo de enxergar a criança, sou apaixonada pelo que eu faço e no decorrer do meu trabalho ainda tenho contato direto com elas. Não deixo de ser a professora, por estar fora da sala de aula, sou diretora, mas nos momentos certos faço minha contribuição e papel com as crianças da minha escola.

A relação entre escola e família, é fundamental, parceria que buscamos incansavelmente estabelecer, através do contato direto e verdadeiro. Acreditamos que isso sempre faz a diferença.

Ter o contato direto com a família, já propicia o contato inicial com a criança, possibilitando momentos de amorosidade que ofertam à criança o sentimento de segurança e acolhimento.

Sabemos que “quem convive com uma criança sabe do potencial que ela tem de gerar atitudes e sentimentos positivos. Elas fazem isso pelas famílias e podem fazer o mesmo pela sociedade.

A infância vale muito tanto para a criança quanto para os adultos à volta dela”, diz Vital Didonet em entrevista à Tory Oliveira da Revista Carta Educação. É na recepção da manhã, na chegada das famílias na escola, na saída, na adaptação das crianças e nos momentos de ajuda em sala que procuro ter esse relação afetiva, contato amoroso, o qual, me deixa muito feliz e satisfeita, pois, amo estar perto das crianças, gosto que elas se sintam bem recebidas e aceitas na escola. Eu procuro chama-las pelo nome, sorrir, beijar, abraçar, brincar, ajudar, tirar fotos (selfie), enfim, fazer parte da vida de cada criança. Eu conheço todas, sei todos os nomes, seus jeitos, manias, medos e receios.

Ser diretora não é somente lidar com o administrativo da escola, resolver situações, se envolver com os profissionais ou famílias, é também fazer parte da vida de cada aluno, despertar neles a vontade de estar na escola, pois na chegada, se eu receber com sorriso, carinho, atenção, seu dia já inicia bem.

Se na adaptação precisa de ajuda, também fora da sala, busco dar atenção aos seus anseios e receios, pois a mesma perceberá que todos darão a importância para ela e seus sentimentos. O que segundo os Referenciais Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (1998, p. 79) aconselha que “deve ser dada uma atenção especial às crianças, nesses momentos de choro, pegando no colo ou sugerindo-lhes atividades interessantes”.

Na saída da escola não é diferente, desejando bom descanso, querendo que volte no outro dia, dando um beijo e um abraço de despedida. É também despertar o amor. A minha maior recompensa foi ter desenvolvido o trabalho de 4 anos de diretora.

Trabalho que encerra-se no fim deste ano, com a certeza que conquistei a amizade e parceria de famílias, pois, conquistei e fui presente na vida de seus filhos, apesar do trabalho burocrático de gestor. Que dei importância para os mesmos, fiz sua vinda para a escola valer a pena, com o sentimento de que todos os querem bem.

Não somente com suas professoras dando carinho e atenção, o acolhimento dos bebês e crianças bem pequenas se deu por todos, inclusive pela diretora, que também quer bem, também ama o que faz. Zilma Ramos de Oliveira (2002, p. 38) afirma que “quem trabalha com crianças pequenas sabe o quanto elas mudam e progridem de mês a mês e como muitas vezes é difícil adaptar-se a essas mudanças tão rápidas e repentinas” como a separação dos pais e o fato de ter de se acostumar com muitos adultos na creche.

Na Educação Infantil é assim, criança é o foco, dar a ela o respeito e a valorização, estar nessa área, profissão é saber que escolheu o caminho certo. Assim, Oliveira (2002, p. 64) pondera que “a creche é um dos contextos de desenvolvimento da criança.

Além de prestar cuidados físicos, ela cria condições para o seu desenvolvimento cognitivo, simbólico, social e emocional”. Desta maneira, “o importante é que a creche seja pensada não como uma instituição substituta da família, mas como ambiente de socialização diferentes do familiar” (OLIVEIRA, 2002, p. 64).

Mas que deve considerar a criança como protagonista e como um ser potente, com sentimentos e vivências diferentes. Pois, na Creche, etapa da educação infantil entre os quatro meses aos três anos, “se dá cuidado e a educação de crianças, que aí vivem, convivem, exploram, conhecem, construindo uma visão de mundo de si mesmas, constituindo-se como Sujeitos” (OLIVEIRA, 2002, p. 64).

Enfim, diante do exposto, desejo reafirmar a importância dos gestores, principalmente, Diretores de Escolas de Educação Infantil manterem-se presentes na vida das crianças, dando-lhes a oportunidade de serem protagonistas, considerando, os momentos de chegada, adaptação e saída, como momentos de acolhida, aconchego e despedida amorosa, com a certeza de um novo encontro à cada dia.

Fátima Simone de Campos -  Professora 

REFERENCIAS BRASIL. RCN. Ministério da Educação e do Desporto, Secretaria de Educação Fundamental. Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil. v.1. Brasília: MEC/SEF, 1998. DIDONET, Vital.

Foco na Educação Infantil para começar bem: Programas de ensino na pré-escola ganham destaque na América Latina. Entrevistado por Tory Oliveira. Disponível em: http://www.cartaeducacao.com.br/reportagens/foto-na-educacao-infantil-para- %E2%80%A8comecar-bem/ Acesso em 26 de ago de 2017 às 17:25.

OLIVEIRA, Zilma Ramos de. Educação Infantil: Fundamentos e métodos. São Paulo: Cortez, 2002.

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