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Os espaços da infância no cenário atual

Por, Elisandra Denise Baiotto - Professora

Matéria Publicada em: 14/10/2017

Quando se discute acerca do conceito de infância, logo nos remetemos ao século passado e constatamos que até meados de 1900 não existia um conceito de infância.

A criança naquele cenário de surgimento da economia capitalista na Europa era vista como um adulto em miniatura, não existiam espaços definidos para a criança, as mesmas participavam dos espaços dos adultos e das longas jornadas de trabalho nas fabricas.

A psicologia e a pedagogia enquanto ciência que estuda o desenvolvimento cognitivo infantil surgiu nesta época com intuito de proteger este ser em desenvolvimento, que necessita de atenção e cuidados especiais.

Com o estudo da infância, passou-se a conceber esta fase como uma fase distinta da adulta, priorizando espaços diferenciados, com atividades diferenciadas e baseadas no lúdico, onde a criança pudesse brincar e fantasiar.

É o universo infantil que passa a ser planejado e adaptado. Até 1990, pode-se dizer, tínhamos uma criança cercada de cuidados principalmente da família, uma família estruturada, em que o pai trabalhava e a mãe se ocupava com o lar.

Dado o avanço da tecnologia e o desenvolvimento avassalador da economia capitalista, as mulheres passaram a trabalhar fora e a educação das crianças passou a ser relegada quase que integralmente para as escolas.

Neste cenário, os espaços de convívio das crianças com a família passaram a ser reduzidos, bem como os espaços para brincadeiras livres durante o dia, no pátio de casa, por exemplo. Os brinquedos passaram a ser cada vez mais tecnológicos e menos elaborados. A televisão e os vídeo games transformam-se nas babás dos filhos de pais super atarefados.

Atualmente, uma grande percentagem de crianças ocupam seu tempo e seus espaços livres entretidas com celular, tabletes e computadores, porque a maioria das famílias não tem tempo de brincar com elas.

Mesmo com todas as contribuições do trabalho de psicólogos e pedagogos, mesmo com a edição de leis protetivas da infância, a criança encontra-se hoje tão desamparada quanto no século passado.

Há uma volta ao mundo dos adultos, pois ela não está alheia aos problemas dos adultos e do mundo capitalista. São poucos espaços, exceto a escola, pensados para o lazer das crianças. O comércio em geral, mercados, lojas, farmácias, academias, não oferecem espaços para o público infantil.

Por isso, me pergunto: Que infância nossas crianças estão tendo? Que tipo de adultos vão se tornar, se quando crianças já se apropriam de fatos e objetos do mundo adulto? E porque adolescentes e adultos de hoje apresentam comportamentos infantis? Por que costumeiramente ouvimos pais e professores falarem: “este menino já está com 16 anos e não quer nada com nada”? Por outro lado, que dizer da nova lei referente ao Pacto Nacional da Alfabetização, a qual traz exigências e competências para as crianças dos 4 e 5 anos? Será que elas estão preparadas e com capacidade de abstração suficiente para ingressar no mundo letrado? Tudo isto nos faz pensar que é preciso viver a infância em sua essência, senão pereceremos como pessoas sem graça e como adultos incompletos, vítimas de um capitalismo insano que nos tira a alegria e o verdadeiro sentido da vida.

Elisandra Denise Baiotto

Professora da Rede Municipal de Ijuí

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