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A docência na educação infantil: A Creche como “Locus” da Práxis Docente Compartilhada

Por: Bruna Barboza Trasel, Elisandra Marques Barbosa Schulz, Cátia Lenise Fischer Pletsth e Nara Estela Carvalho

Matéria Publicada em: 15/10/2017

A educação infantil vem ganhando cada vez mais espaços nas discussões nos cursos de formação inicial de professores, afirmando sua importância enquanto área do conhecimento, por sua relevância na sociedade atual e nas organizações familiares contemporâneas. A escola infantil possibilita o acesso e permanência das mulheres ao mercado de trabalho, o que potencializa muitas áreas mercadológicas e propicia uma maior qualidade de vida às famílias de baixa renda.

A creche, etapa da educação infantil, ofertada dos quatro meses aos três anos e que corresponde aos grupos de berçários e maternais, se tornam ambientes procurados pelos mais diversos públicos, uma vez, que as escolas de educação infantil têm se tornado cada vez mais qualificadas, isto porque, elas têm se potencializado como um possível “lócus” da práxis docente.

Não é mais possível considerar uma escola infantil que não trabalhe de acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (2010), documento que direciona e organiza o trabalho pedagógico das instituições de educação coletiva de bebês, crianças bem pequenas e crianças. Esse documento ressalta uma visão de criança como um “sujeito histórico e de direitos”. Além disso, as DCNEI (2010, p. 12) enfatizam que “nas interações, relações e práticas cotidianas que vivencia, [a criança] constrói sua identidade pessoal e coletiva, brinca, imagina, fantasia, deseja, aprende, observa, experimenta, narra, questiona e constrói sentidos sobre a natureza e a sociedade, produzindo cultura”.

Diante dessa perspectiva, o trabalho pedagógico deve dar conta de compreender as relações dessa criança com outras crianças, com os adultos e com a comunidade, considerando essas interlocuções possibilidades de aprendizagens. O trabalho do professor precisa ser reflexivo e buscar a práxis, que entendemos a partir de Paulo Freire. Este autor pondera que é necessária a “reflexão crítica sobre a prática”, considerando que “a prática docente crítica, implicante do pensar certo, envolve o movimento dinâmico, dialético, entre o fazer e o pensar sobre o fazer (FREIRE, 2016, p. 39).

Além disso, o trabalho docente não pode ser solitário, precisa ser compartilhado. E para ser compartilhado, precisa ser pronunciado. Pois, “não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho e na ação-reflexão” (FREIRE, 2013, p. 108).

Como afirmam as autoras Clarice Salete Traversini e Juliana Freitas, compartilhar a docência, ou seja, pensar, planejar, delinear as propostas pedagógicas e exercê-las em conjunto podem se tornar uma possibilidade interessante de práxis docente, uma vez que a “[...] Docência Compartilhada consiste em um permanente processo de desconstrução/reinvenção da identidade docente”. Assim, “a ação de compartilhar traz tensões para ambos os docentes, pois a exposição mais íntima e detalhada de suas crenças pedagógicas”, é de certa forma, “o embate entre a proposta planejada para o aluno e a concretização da mesma ‘a dois’, assumindo riscos, realizações e fracassos no coletivo da turma e com cada aluno, individualmente”. Uma vez que, “nesse contexto, cada um dos professores passa a fazer a desconstrução do seu modo de ser docente para construir outro” (TRAVERSINI, et al., 2012, p. 295).

A docência na educação infantil, especialmente na Creche, diz desse movimento de construção/desconstrução da identidade do educador, pois somente ao confrontar os saberes teóricos com as ações pedagógicas vividas no contexto escolar é que se pode ampliar as possibilidades de qualificação da Escola Infantil.

Por fim, cabe afirmar a possibilidade de reafirmamos a importância da ação pedagógica na Escola de Educação Infantil refletida e compartilhada pelos educadores da escola, avançando nas concepções e na ação-reflexão.

Bruna Barboza Träsel

Mestranda em Educação nas Ciências (UNIJUI). Pedagoga. Professora de Educação Infantil da Rede Municipal de Ijuí-RS – EMI Alvorada.

Elisandra Marques Barbosa Schulz

Graduanda em Pedagogia (UNIJUI). Auxiliar de Educação Infantil na Rede Municipal de Ijuí-RS – EMI Alvorada.

Cátia Lenise Fischer Pletsth

Especialista em Educação Infantil, Anos Iniciais e Interdisciplinaridade, Professora de Educação Infantil da Rede Municipal de Ijuí-RS – EMI Alvorada.

Nara Estela Carvalho

Pós-Graduanda em Gestão Escolar (UNINTER). Professora de Educação Infantil da Rede Municipal de Ijuí-RS – EMI Alvorada.

Referencias

Brasil. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Diretrizes curriculares nacionais para a educação infantil / Secretaria de Educação Básica. – Brasília : MEC, SEB, 2010. FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. 54º ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2016. ______. Pedagogia do Oprimido. 54. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2013.

SCHULZ, Elisandra Marques Barbosa; TRASEL, Bruna Barboza; WESCHENFELDER, Noeli Valentina. O Tempo Káiros e a Docência na Educação Infantil: A Docência Compartilhada entre Professora Regente e Estagiária. Disponível em: https://www.publicacoeseventos.unijui.edu.br/index.php/moeducitec/article/view/8499 Acesso em 13 de outubro de 2017.

TRAVERSINI, Clarice Salete; XAVIER, Maria Luisa Merino de Freitas; RODRIGUES, Maria Bernadette Castro; DALLA ZEN, Maria Isabel Habkcost; SOUZA, Nádia Geisa Silveira de. Processos de inclusão e docência compartilhada no III ciclo. Educação em Revista, pág. 285-308, 2012.

TRAVERSINI, Clarice Salete; FREITAS, Juliana. O desafio de exercer a docência e constituir-se como aluno no projeto da Docência Compartilhada. UFRGS/FACED/PPGEDU: Porto Alegre/RS, 2009. 

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