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Depressão de fim de ano - Psicologia

Por, Alexandre Bez | Psicólogo - Redação Minha Vida

Matéria Publicada em: 01/12/2017

O período que envolve as festas de fim de ano pode ser considerado de extrema dualidade no que se refere aos sentimentos.

Mesmo com os vários compromissos que recaem sobre as pessoas festas de família, amigo secreto e o tempo escasso que, literalmente, voa para realizar inúmeras obrigações, muitos finalizam suas tarefas com exímio prazer e satisfeitos de sua produtividade.

É comum que haja um pequeno estresse, que pode ser avaliado como um fator positivo, afinal, motiva o indivíduo a lidar com as tais tarefas natalinas . Entretanto, para muitos ocorre o efeito inverso.

As ocupações com as festividades e os compromissos decorrentes do Natal e do Ano Novo produzem sentimentos negativos; potentes desencadeadores de ansiedade, angústia e depressão, sendo liderados, principalmente, pelo estresse.

O que para uns é uma época repleta de esperança, sonhos e delícias para saborear, para outros não passa de uma tormenta, um pesadelo, um peso a ser carregado.

É comum inúmeros sentimentos manifestarem-se nestes meses, como alegria, tristeza, tensão, prazer, ansiedade. Portanto, é preciso que cada pessoa tenha o foco voltado para si e permaneça atenta às suas emoções, avaliando em que medida elas surtem efeito positivo ou negativo em suas vidas.

Neste momento, está em jogo não apenas o presente, mas toda a experiência acumulada nos anos anteriores. Alguns se sentem depressivos por não ter mais seus entes queridos, fator que desencadeia lembranças e, conseqüentemente, tristeza e melancolia.

O ideal, neste momento, é estar cercado de pessoas de quem se gosta e aumentar a interação com elas ao máximo possível. Seja um amigo, um namorado ou um vizinho, esteja ao lado de companhias agradáveis. É importante não se afastar das comemorações, para não deixar que elas passem em branco.

Para muitos, ainda funciona um belo ritual de compras ou quem sabe, se envolver em uma ação beneficente, que dá a sensação de pertencimento (a uma comunidade, ao bairro) e bem estar.

Outra situação comum nos tempos modernos é a família cujos pais estão separados. Há sempre a dúvida em relação de com quem permanecerão com os filhos nas datas comemorativas, causando certo desencontro e até mesmo gerando ansiedade.

Como é inevitável passar por este delicado assunto, a sugestão é que os pais já estejam preparados para enfrentar estes pequenos dissabores e evitem supervalorizá-lo. Em casos de relações amigáveis, o ideal é deixar o cronograma preparado com vários meses de antecedência.

Pode-se determinar em quais dias ocorrerá a viagem, em que festas a criança estará presente. Há casos em que o ex-casal viaja para o mesmo destino e permanece em hotéis separados, assim as crianças podem dividir o tempo entre os pais.

É fato que nesta época os indivíduos fiquem suscetíveis ao surgimento deste tipo de problema, pois passam a fazer uma freqüente avaliação e se tornam mais conscientes do que os cerca.

Surgem novas cobranças, que podem ser de ordem familiar, religiosa, profissional, pessoal, social, e até mesmo a autocobrança, resultante das metas que o indivíduo traçou e, por inúmeros motivos, não foi capaz realizar.

Todos estes fatores podem gerar uma crise. Portanto, é preciso ter cuidado com as expectativas que sempre causam reações de angústia. Em casos específicos, algumas pessoas chegam a desencadear uma fobia a esta data, que tem como mote a angústia aos compromissos festivos.

Caso isso ocorra, o mais adequado é relaxar. Fazer uma caminhada, ir ao parque, respirar ar puro e avaliar a situação da forma mais calma possível. E sempre, fazer atividades que tragam a sensação de prazer pessoal.

Há indivíduos, em que o nível de ansiedade é muito alto, portanto, nestes casos o ideal é o acompanhamento médico e o uso de ansiolíticos para diminuir a ansiedade.

Como se isso não bastasse, há ainda a possibilidade de se desenvolver uma compulsão e fazer conjecturas imaginárias do vir-a-ser , questionando o tempo todo se o próximo ano será melhor, se conseguirá conquistar os objetivos.

A véspera de Ano Novo traz ainda o que se chama de prospectiva global; todos estão festejando, fazendo cobranças e promessas para o próximo ano e, por mais que o indivíduo tente se manter, é atingido pela carga emocional que envolve este período.

É importante lembrar que todos estes fatores que levam a ansiedade, depressão ou fobia são inerentes a cada pessoa.

Há várias maneiras de tentar reverter este quadro. A terapia pode evitar os sentimentos negativos que podem induzir ao suicídio em raros casos e trazer à consciência o que estava inconsciente no sujeito; fazendo com que se cure mais facilmente este mal-estar e desapareça o sintoma da fobia de fim de ano.

É imprescindível lembrar que, por mais difícil que seja para quem sofre deste mal, é uma época de alegria, aconchego familiar e confraternização.

É o momento de se tentar esquecer o passado o passado existe para ser ultrapassado , como afirma Freud, de esquecer as mágoas da infância, reprimidas no inconsciente.

Ponderar os aspectos positivos e negativos, meditar, acreditar que o ano que está por vir será melhor e, até mesmo, se ajustar financeiramente para participar das festas de família, da empresa, dos amigos.

Estar disposto a se analisar e modificar, respeitando a própria capacidade é fator essencial. Não se esquecer de evitar a ansiedade antecipatória sofrer antes do tempo, pois o Natal é um acontecimento maravilhoso e ideal para se apaziguar as frustrações do passado ocorridas nesta época ou em torno dela.

Também vale o cuidado com alimentação; produtos como chocolate, bebidas e café podem acentuar a ansiedade. Atente-se também para o uso sistêmico e sem acompanhamento de antidepressivos e para o álcool em excesso.

Por último, um simples ato solidário pode transformar muita coisa; principalmente, para os que estão em estado depressivo.

A solidariedade torna-se um bálsamo aos que sofrem sozinhos com seus medos e angústias, e pode ser o ponto de partida para uma vida melhor. Uma vida repleta de paz a todos!

Alexandre Bez

Psicólogo especialista em relacionamentos, ansiedade e síndrome do pânico.

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