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O envelhecimento masculino e a paternidade

Por, Claudio Telöken

Matéria Publicada em: 21/11/2016
Por, ​​​​​​​Claudio Telöken

O mundo moderno exibe uma tendência de casais decidirem por prole mais tardiamente. Até 1970, menos de 15% dos homens acima de 35 anos tinham filhos; atualmente, o percentual é de aproximadamente 30%. Muitos homens estão elegendo a faixa de 50 a 54 anos para garantir sua prole.

Múltiplos fatores são responsáveis por essa mudança comportamental. O destaque incontestável é a priorização da formação acadêmica mais longa para assumir uma posição profissional destacada em ambiente acirradamente competitivo.

Ao contrário da mulher, que nasce com uma quantidade predeterminada de óvulos, a paternidade poderá ocorrer de forma perene, independente da faixa etária, pois a espermatogênese não é finita.

Entretanto, o envelhecimento masculino exibe progressivamente alterações na competência reprodutiva – que serão tanto mais retumbantes quanto maior o comprometimento no estilo de vida, principalmente obesidade, sedentarismo, estresse, consumo de bebidas alcoólicas, tabagismo, drogas recreativas etc.

A máxima de que somente a esposa envelhecendo comprometeria a fertilidade do casal é incorreta e está suficientemente esclarecida. O tempo determina modificações estruturais e funcionais no homem (níveis hormonais, calvície, alteração de pele, força física, ereção, memória etc) e é óbvio e ululante que a função testicular também é contemplada com alterações.

Quanto mais idade, especialmente acima de 40 anos, mais alterações seminais serão observadas, destacandose concentração e motilidade espermáticas. O índice de fragmentação do DNA espermático é também estatisticamente maior em homens mais velhos.

Essas alterações repercutem no tempo demandado para gravidez: um homem com menos de 25 anos (e com esposa jovem) necessita, em média, de somente quatro meses e meio; acima de 40 anos, esse período sobe para quase dois anos. E assim ocorre progressivamente.

Homens acima de 45 anos também podem ser responsáveis por maior chance de interrupção espontânea da gravidez – embora isso seja um caso raro. A diminuição progressiva da concentração de espermatozoides com o passar dos anos pode culminar com a ausência total de células reprodutivas no ejaculado (azoospermia).

Especificamente, essa entidade nosológica é mais frequente em homens após os 60 anos de idade. Presume-se que não se deva somente ao fator etário e, sim, pela maior tempo exposto a fatores de risco.

Excetuando-se as dificuldades descritas na obtenção da gravidez em homens acima de 45 anos, há necessidade de se considerar as raras alterações na prole. A mutação autossômica dominante em homens acima de 45 anos é quase quatro vezes maior do que em homens entre 30 e 34 anos.

A herança na prole de homens idosos está merecendo uma atenção muito especial, especialmente considerando aprendizado e eventuais alterações comportamentais.

A sugestão da comunidade científica preconiza paternidade antes dos 45 anos, o que nem sempre é possível.

Claudio Telöken

Urologista e andrologista do Fertilitat - Centro de Medicina Reprodutiva, em Porto Alegre.

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