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Não preciso da FIV, mas quero potencializar a chance de gravidez, o que faço?

Por, Dr. João Michelon

Matéria Publicada em: 27/12/2016

Há condições que fazem da FIV a primeira opção para conquistar a gravidez e outras, mais simples, dependem de otimização das chances, através de pequenos procedimentos.

É importante, independente da necessidade de fertilização, que as mulheres tenham hábitos saudáveis, que vão desde cuidados alimentares, atividade física, uso do Ácido Fólico, evitar o fumo, álcool e medicamentos desnecessários, visita médica periódica e um preparo emocional para enfrentar possíveis dificuldades de conceber.

A chance que um casal tem de obter gravidez, quando a mulher tem menos de 35 anos de idade e apresenta ciclos regulares é de 16,8 a 20% ao mês; aos 40 anos essa chance está ao redor de 7% e cai progressivamente. Quando o homem tem idade superior a 50 anos, a fertilidade é consideravelmente menor. A princípio, 80% dos casais conseguem sucesso de gravidez ao final de um ano de tentativas naturais, chegando a 90% no final do segundo ano.

A frequência das relações sexuais é um fator importante ao sucesso. Dificuldades no encontro dos casais no período fértil, por motivos diversos, é um complicador para o êxito. Para aquelas mulheres com ciclos regulares, as relações devem acontecer diariamente no período fértil, no máximo em dias alternados. Bons espermatozoides podem durar até mais de 2 dias no aparelho reprodutor feminino, mas isso é a exceção.

As primeiras 24h é o melhor período. Em uma mulher com ciclos regulares, a ovulação ocorre, em média, 13 dias antes do fluxo menstrual e as relações precisam ocorrer por volta deste período; preferencialmente, 2 dias antes e depois. Há sinais que permitem identificar o período fértil, o primeiro deles é a produção do muco cervical (“clara de ovo”) que ocorre com intensidade em torno de 2 a 3 dias antes da ovulação, a melhora da libido e, em algumas mulheres, a dor ovulatória, no dia da ovulação. Há testes urinários que medem o nível de LH e que dão importante auxilio àquelas que tem dificuldade de reconhecimento deste período. O pico do hormônio na circulação correlaciona-se com a ovulação iminente.

Não há manobras, posições ou atitudes que possam acrescentar grande vantagem comparado a cultura tradicional das relações sexuais. Logo após a ejaculação, milhares de espermatozoides atingem as trompas em poucos minutos; o muco cervical capacita o espermatozoide para esse trajeto e a fecundação. O uso de lubrificantes no ato sexual pode prejudicar a motilidade espermática; alguns podem ter ação espermaticida. A lubrificação intima, conquistada pela excitação, é o desejável.

O uso de antiinflamatórios, frequentemente usados para dores em geral, no período fértil pode inibir a ovulação e funcionar como um contraceptivo. O uso, algumas vezes, de um único comprimido pode impedir a ovulação e condicionar a formação de cistos nos ovários.

A indução da ovulação não se mostra eficiente em mulheres sem distúrbios ovulatórios. Induzir a ovulação em mulheres ovuladoras se torna um certo contrassenso, principalmente, quando os ciclos são bem regulares.

A fertilidade é comprometida em mulheres obesas e naquelas muito magras, devido a distúrbios endócrinos. Há que se evitar dietas extremas sem controle médico. O vício do fumo (vale para o fumante passivo, também) e álcool, preferencialmente, deve ser abolido, pois, comprovadamente, diminuem a fertilidade, sem contar o efeito deletério sobre a reserva ovariana.

A expectativa da concepção pode gerar efeitos psicológicos que comprometem o desempenho reprodutivo, sem que se possa afirmar o real mecanismo de ação. O autocontrole e a ajuda profissional podem minimizar esse efeito.

O caminho da concepção natural ou assistida, quando a gestação não acontece, é melhor orientada pelo médico especialista. Também, quando o bebê apenas é um “projeto”, busque a opinião presencial de um especialista.

Dr. João Michelon

Ginecologista do Fertilitat - Centro de Medicina Reprodutiva.

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