
Um novo desdobramento envolvendo a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Plano Diretor de Ijuí promete intensificar o clima político no Legislativo. O vereador Chico Ortiz (PP), integrante da própria CPI, protocolou um pedido de impugnação dos trabalhos da comissão — medida que ocorre em meio a questionamentos sobre sua participação no período investigado.
Para formalizar o requerimento, Ortiz contratou o advogado José Luiz Blaszak. O pedido foi apresentado após discussões internas indicarem que o recorte temporal da investigação abrange o período em que o parlamentar atuou como secretário municipal de Planejamento, e também sua função na presidência do Conselho Municipal do Plano Diretor (COMPLADIP).
Além disso, após deixar o cargo no Executivo, o vereador teria permanecido no conselho como representante da Associação das Empresas Imobiliárias de Ijuí (AEII), entidade com direito a voto nas deliberações. A situação levanta dúvidas sobre possível conflito de interesses, ainda que, do ponto de vista regimental, a participação em si não implique impedimento automático na CPI.
Pedido antecipado gera estranhamento
Nos bastidores, o movimento é interpretado com surpresa por integrantes da comissão. Isso porque o pedido de impugnação foi protocolado antes mesmo da inclusão formal dos projetos sob investigação no material da CPI.
A antecipação da medida tem sido vista por alguns membros como um indicativo de preocupação prévia com o andamento dos trabalhos, o que pode fragilizar politicamente a posição do vereador dentro da comissão.
Tramitação e cenário político
A expectativa é de que o pedido seja analisado e, possivelmente, indeferido no âmbito da própria CPI. Caso isso ocorra, o vereador ainda poderá recorrer ao plenário da Câmara Municipal.
Nos corredores do Legislativo, a avaliação predominante é de que dificilmente haverá maioria para acolher a impugnação. Parlamentares ouvidos reservadamente consideram que acatar um pedido dessa natureza poderia comprometer a credibilidade e o funcionamento da própria CPI.
O requerimento deve ser lido na próxima sessão ordinária, prevista para segunda-feira, quando o tema poderá ser levado ao debate público.
Possível mudança de status
Com o avanço das investigações, não está descartada a possibilidade de que o próprio vereador passe da condição de integrante para investigado, dependendo dos fatos que vierem a ser apurados no curso da CPI.
A comissão ainda está em fase inicial e deve iniciar a análise documental e as oitivas na semana que vem.
Abel Oliveira
Formando em Jornalismo