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Conheça 4 doenças urológicas que afetam homens

Por, Daniel Navas |Colaboração para o VivaBem

Matéria Publicada em: 05/09/2019

Quando falamos em "doenças de homem", é comum que o câncer de próstata seja o primeiro problema a aparecer na mente. E não é por menos, afinal, a cada ano cerca de 68 mil indivíduos descobrem ter esse tipo de tumor, que é o segundo mais frequente na população masculina, atrás apenas do câncer de pele, segundo o Inca (Instituto Nacional de Câncer).

Mas, obviamente, o câncer não é o único problema que atinge a próstata e outros órgãos dos sistemas reprodutivo e urinário masculino — que estão todos aí, juntos e misturados na parte de baixo do seu corpo. A seguir, apresentamos quatro doenças urológicas não tão conhecidas por muitas pessoas para reforçar a importância dos cuidados com a saúde do homem e da consulta regular (ao menos uma vez por anos) com o urologista, especialmente após os 40 anos, pois quanto antes esses problemas forem identificados, mais fácil tende a ser o tratamento.

1. Hiperplasia benigna da próstata (HPB) 

É o aumento da próstata devido à ação da testosterona, que atinge principalmente homens a partir dos 45 anos. O problema pode causar obstrução parcial ou total da uretra, prejudicando a vida sexual e também o dia a dia da pessoa. O indivíduo pode apresentar dificuldades para urinar —jato fraco de xixi, necessidade de fazer força para urinar ou terminar a micção —, aumento do tempo para esvaziar a bexiga, sensação de esvaziamento incompleto da bexiga, necessidade de ir várias vezes ao banheiro para fazer xixi, urgência urinária (necessidade de urinar para não ter o risco de fazer nas roupas) e necessidade de levantar à noite para a micção. Alguns pacientes chegam até sentir dor ou desconforto na hora do xixi.

Além do avanço da idade, outros fatores que influenciam o desenvolvimento da hiperplasia benigna da próstata são diabetes, hipertensão, obesidade, baixo nível de HDL (o popular colesterol bom), inflamação na próstata, sedentarismo e genética.

O diagnóstico normalmente é feito pela história clínica do paciente e outros exames, como o toque retal e a ultrassonografia da próstata. Para o tratamento da hiperplasia benigna da próstata são indicados medicamentos que atuam na dilatação e no relaxamento da próstata, o que diminui a resistência ao fluxo de urina, além de outros remédios que servem para diminuir o tamanho da glândula e aliviar o esvaziamento da bexiga.

Caso os sintomas permaneçam, os procedimentos cirúrgicos podem ser recomendados. Entre eles estão a chamada ressecção transuretral da próstata (RTU). Nela, é feita uma raspagem e retirada do miolo do órgão. O tratamento com laser também é muito indicado pelos urologistas. Com a técnica, é possível alcançar uma desobstrução grande da uretra e, comparado com a RTU, tem a vantagem de menor sangramento, menor tempo de internação e menor necessidade de irrigação vesical. Já para as glândulas que estiverem acima de 100 g, o tratamento mais recomendado é a prostatectomia, uma cirurgia que retira parte da glândula.

A maioria dos tratamentos para hiperplasia benigna da próstata, até mesmo os medicamentos, leva o paciente a parar de ejacular, mas a função sexual continua. Ou seja, a ereção e o orgasmo, só não tem mais a ejaculação.

2. Prostatite 

Processo inflamatório ou infeccioso na glândula prostática, que interfere no funcionamento do órgão, na liberação do PSA (antígeno prostático específico) e impacta no funcionamento do trato urinário, repercutindo na qualidade da micção.

Normalmente, essa doença atinge os homens na faixa dos 20 aos 40 anos e também depois dos 60 anos, que tenham a imunidade baixa. Existem vários tipos de prostatites, mas as mais comuns são: aguda e crônica. A primeira é causada por bactérias e frequentemente está relacionada à infecção urinária, isso porque o xixi passa no meio da próstata, então, a infecção da urina pode levar o mesmo problema na glândula. Além disso, em situações em que ocorre a manipulação da próstata, por conta da biópsia, por exemplo, pode ocorrer a doença.

Os indícios da prostatite aguda são: febre alta, mal-estar geral, calafrios, dores nas costas, nos músculos, nas articulações e no períneo (região que fica entre o ânus e o escroto). Já os sintomas urinários são dor ao urinar, necessidade frequente de fazer xixi durante o dia e a noite e urgência miccional. Há também uma dificuldade em esvaziar completamente a bexiga. O tratamento é feito com antibióticos e geralmente dura, pelo menos, 14 dias.

Já a prostatite crônica é uma doença que pode ter causa bacteriana ou por infecção de micro-organismos e permanecer no corpo por meses e até anos. Normalmente, tem como sintomas uma dor ou desconforto na região pélvica, que é persistente ou recorrente e pode ou não estar associada com sintomas urinários e sexuais. Outros sinais desse tipo da doença é a dor na região do períneo, do abdome inferior, nos testículos e no pênis, principalmente durante ou após a ejaculação. Pode ter sintomas obstrutivos e irritativos e eventualmente sangramento no sêmen e disfunção sexual. O tratamento da prostatite crônica leva mais tempo, com duração de três meses ou mais com o uso de antibióticos.

3. Bexiga hiperativa

A doença é caracterizada por problemas de micção característicos, como a urgência, muitas vezes súbita, em fazer xixi. Geralmente, o sintoma é acompanhado do aumento na frequência de idas ao banheiro, inclusive durante à noite.

Homens a partir dos 50 anos já podem desenvolver a bexiga hiperativa, mas ela é mais comum depois dos 75 anos, pois a partir dessa idade ocorrem mudanças fisiológicas associadas ao envelhecimento, como a diminuição da capacidade da bexiga em segurar a urina e o enfraquecimento muscular na região pélvica.

Na hora de realizar o diagnóstico da doença, o urologista leva em consideração se o paciente apresenta os sintomas mencionados, além de prescrever exame de urina e ultrassom das vias urinárias para descartar outras condições. O tratamento inclui fisioterapia para fortalecer a região pélvica e medicamentos. Nos casos mais intensos, pode-se indicar o uso de toxina botulínica na bexiga ou até mesmo o implante de um neuromodulador (dispositivo semelhante a um marca-passo que vai controlar o funcionamento da bexiga).

4. Estenoses de uretra

As uretrites (infecções da uretra) — que geralmente decorrem de doenças como tuberculose, do uso de sonda ou de manipulações cirúrgicas da uretra — podem causar cicatrizes no canal por onde passa a urina e o sêmen. Então, esse tecido fibroso acaba por entupir de forma parcial ou totalmente a uretra, gerando as chamadas estenoses.

Como resultado dessa doença surgem os problemas de micção. Entre eles, o fluxo reduzido de urina é o primeiro sintoma. Depois, aparecem a dificuldade em fazer xixi (como o jato duplo), o gotejamento de urina após a micção, a necessidade de urinar mais vezes que o habitual, vontade maior de ir ao banheiro durante à noite, a ardência no momento da micção e, em alguns casos, incontinência urinária.

O diagnóstico da doença se dá pelo histórico do paciente, mas também serão necessários exames laboratoriais para descartar qualquer outro tipo de enfermidade. O principal teste realizado é a uretrocistografia miccional, na qual se injeta contraste na uretra até a bexiga e, com a ajuda do raio-x, é possível visualizar todo o trajeto dessa via. Outros exames podem ser realizados, como a endoscopia da uretra e a ressonância magnética.

O tratamento depende da extensão do estreitamento na uretra. É possível que o urologista indique uma uretrotomia interna, na qual, com a ajuda de um endoscópico, se faz um corte no ponto obstruído para abri-lo. Também podem ser determinadas as chamadas uretroplastias, que são técnicas diferentes de plástica do canal uretral, que vão depender não só da extensão, como também da localização da lesão.

Artigo publicado originalmente no site   UOL VivaBem

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