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Pandemia e instinto de sobrevivência - o que cada um pode e deve fazer?

Por, Alice Dias Pasche, Júlia Luciane Vidal e Fabiane Schott - Psicólogas

Matéria Publicada em: 24/03/2020

Os seres humanos durante o processo de evolução passaram por várias etapas. Inicialmente, seu comportamento era mimético (imitativo) ao de outros animais com baixo nível de organização, onde predominavam os instintos básicos como sede, fome, sexo, baseados predominantemente no individualismo e no egoísmo como mecanismos de sobrevivência. Posteriormente, ao longo da evolução da humanidade, os aspectos emocionais se tornaram fundamentais para manter o vínculo entre a espécie humana, o qual só foi possível após a descoberta e domínio do fogo, elevando a nossa espécie a uma categoria dominante, com melhor proteção de predadores e otimização da alimentação. Em seguida, no nível mais avançado da sua trajetória, o ser humano passou a desenvolver melhor sua razão, aprimorando sua linguagem e apresentando capacidades únicas até então desconhecidas. E cada uma destas etapas existenciais foram cruciais para a sobrevivência da humanidade e domínio do meio em que vive. 

O fator comum que garantiu a evolução tão bem-sucedida da espécie humana, não foi somente a razão e o melhoramento da cognição, mas sim, o abandono do predomínio do egoísmo em prol do altruísmo (preocupação com o outro), o que nos garantiu a sobreviver às adversidades do ambiente onde vivemos. 

Em tempos de pandemia de coronavírus é de se esperar que um mecanismo arcaico de sobrevivência como o de luta e fuga seja ativado, associado a alta carga emocional, mas devemos utilizar deste mecanismo em prol da nossa sociedade e evitar entrarmos em pânico. No momento atual, o melhor a fazer é seguir o processo de fuga, ficando todos em casa, evitando aglomerações ao máximo, lavando bem as mãos e em caso de sintomas, entrar em contato telefônico com as plataformas de telemedicina, assim evitando sair para buscar atendimento, devido à alta transmissibilidade do vírus.  

Muitos ficarão aflitos, com a situação gerada em decorrência da pandemia, podem apresentar-se ansiosos por ter que permanecer em quarentena em casa, mas essa é a melhor forma de luta para a sobrevivência da espécie humana. Uma das preocupações manifestadas reside na ausência para a venda de álcool gel nas farmácias, no entanto o hábito de higienizar as mãos pode ser realizado com água e sabão, ou sabonete, várias vezes ao dia, evitando tocar a boca, nariz e os olhos. Precisamos pensar em nós, mas também nos outros que estão vivenciando a mesma situação, nas ações individuais para o bem coletivo. 

Outra recomendação importantíssima está relacionada aos idosos, faixa etária de maior risco para contaminação do coronavírus. Pessoas que convivem com indivíduos desta idade devem orientar e informar sobre a necessidade de permanecer em casa, quem puder ofereça-se para trazer algo do supermercado ou farmácia a esse público alvo, estas pessoas devem optar por realizar compras em locais que possam fazer tele-entrega, entre outras medidas preventivas. É necessário que haja uma conscientização a nível individual e coletivo, para sobreviver, precisamos todos adotar o mesmo comportamento, evitando que o vírus se propague.  

Diante da Pandemia do coronavírus e de quarentena em que estamos vivendo, tem sido praticamente impossível assistir televisão, acessar a internet e as redes sociais sem nos depararmos com noticias sobre o covid-19. Em meio a todo esse contexto envolvendo mudanças, de rotina, hábitos e isolamento, o impacto emocional tem sido grande. Por isso neste momento é necessário tomar cuidado com o acesso as informações, trocas de mensagens pois de certa forma todas estas informações acabam impactando negativamente. Sabemos que a medida de isolamento é uma forma para tentar atenuar a situação, por isso devemos buscar recursos emocionais. Devemos nos manter informados, mas moderadamente, pois o excesso destas informações pode causar uma desorganização emocional. 

Nesse momento é importante que possamos pensar em outras possibilidades para nossa vida, sem esquecer das orientações e cuidados. 

Dentre algumas alternativas para fazer em casa estão as atividades para a liberação de endorfina e serotonina. Este momento exige que sejamos inovadores e flexíveis, também! Com certeza existem atividades que não sabemos ainda que gostamos e essa é a hora de testar. Dançar, pular corda, alongar: é preciso manter em movimento corpo e mente. Investir em algo que não costumava fazer: leitura, cursos online, dedicar mais tempo de qualidade do cuidado aos filhos, atividades manuais, visitar museus online, atualizar a lista de filmes. Essas ações não são iguais a atividades físicas, mas exigirão o uso de aspectos da nossa mente que não necessariamente são usados normalmente, e isso por si só, já é um exercício. 

Nos próximos dias, haverá mais informações sobre maneiras de cuidar da saúde mental, entre outras dicas...

Alice Dias Pasche, Júlia Luciane Vidal e Fabiane Schott

Psicólogas

Seiko DDD